Casos confirmados de coronavírus ultrapassam 395 mil em Minas Gerais

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou, na manhã deste sábado (21), que o número de casos confirmados de coronavírus chega a 395.534 em Minas Gerais. Em relação à véspera, foram 2.424 novas confirmações.

Já as mortes atingiram 9.732 no estado – 44 a mais em 24 horas.

Segundo a SES, 22.451 casos seguem em acompanhamento em Minas Gerais. Outros 363.351 pacientes já se recuperaram da doença no estado.

Aos fins de semana, o governo não divulga dados detalhados, como casos por município e perfil dos pacientes.

Preocupação em Belo Horizonte

As cirurgias eletivas pelo SUS estão novamente suspensas, a partir deste sábado (21), em Belo Horizonte, por causa do aumento de casos de Covid-19. A informação está em um documento ao qual o G1 teve acesso e foi confirmada pelo secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado, nesta sexta-feira (20).

“Só vamos manter cirurgias de urgência e Covid. Até agora, a fiscalização estava atuando de forma educativa. Agora pra frente é fechar, multar. A vigilância sanitária e fiscalização de política urbana e Guarda Municipal vão atuar com muita rigidez, porque não dá mais”, afirmou em entrevista ao G1.

O documento, além de suspender as cirurgias eletivas, recomenda aos serviços privados que façam o mesmo, já que o contágio segue em alta na cidade.

Belo Horizonte alcançou, nesta segunda-feira (16), a maior taxa de transmissão do novo coronavírus desde o dia 3 de julho. Naquele momento, há mais de quatro meses, a taxa, conhecida como Rt, estava em 1,13 – a mesma registrada nesta segunda, segundo o boletim epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde. Nesta sexta-feira (20), o Rt estava em 1,09.

BH já tem mais de 52 mil casos de Covid-19

O Rt é o número médio de transmissão por infectado. Ou seja, quando ele está em 1, significa que uma pessoa contaminada pelo novo coronavírus tem potencial para infectar, em média, uma pessoa. Ou seja, o Rt 1,13 significa que 100 pessoas doentes podem infectar outras 113.

Passando de 1, o Rt entra no nível de alerta “amarelo”, no indicador usado pela prefeitura para decidir se vai manter o comércio da cidade aberto ou não. Acima de 1,20, o alerta é “vermelho”. Os outros dois indicadores são as taxas de ocupação de leitos de enfermaria e de UTI, que, no momento, estão em alerta “verde”.

Até o momento, o pior Rt registrado na capital mineira foi no dia 29 de maio: 1,24.

Esse índice de transmissão funciona como um guia, permitindo que o Comitê de Enfrentamento da Covid-19 antecipe ações para evitar mortes e o caos no sistema público de saúde. Quando o número cresce, a gravidade dos casos só é percebida cerca de 15 dias depois, com o aumento da ocupação nos leitos – que hoje ainda está baixa.

“Existe relação clara de causa e efeito. Primeiro aumenta o Rt, que mostra que há uma circulação viral maior, e, depois, isso impacta na saturação de hospital, tanto em enfermaria quanto em CTI. Porque, com uma maior circulação viral mostrada pelo Rt você tem mais adoecimento e, com isso, tem mais internações e, mais grave, vai ter mais mortes”, disse o infectologista Estêvão Urbano, que faz parte do comitê.

Aumento da taxa de transmissão da Covid-19 em BH já se reflete na ocupação dos hospitais

Na tarde desta terça-feira (17), o comitê de enfrentamento da Covid-19 se reuniu com o prefeito Alexandre Kalil (PSD), para discutir o crescimento de casos na cidade. A capital mineira já teve 51.802 pacientes infectados pela Covid-19 desde o início da pandemia, dos quais 1.590 morreram.

Segundo o infectologista, neste momento ainda não deve haver fechamentos na cidade:

“Nós queremos dar uma oportunidade para as pessoas se reconscientizarem da importância do papel delas enquanto cidadãs no controle da pandemia. (…) Obviamente o futuro é o futuro, vai depender do comportamento das pessoas.”

Taxa ainda não preocupa, diz prefeitura

Procurada pelo G1 para comentar sobre o aumento da taxa de contágio na cidade, a Prefeitura de Belo Horizonte respondeu, por meio da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, que, “nos últimos meses, o Rt tem apresentado um ciclo de aumento e redução, quase que semanalmente. Além da dinâmica própria de difusão da pandemia, que está longe de ser constante, a quantidade cada vez menor de infectados faz com que as oscilações em pequenos números gerem maior impacto no indicador de transmissão”.

A pasta destacou, no entanto, que “o valor de Rt ainda está oscilando em torno de 1,00 e dentro da faixa considerada aceitável”. Acima de 1,20, a taxa passa a ser preocupante para a capacidade de resposta da prefeitura. “Deve-se recordar que o valor de Rt próximo a 1,00 aponta para a tendência de estabilidade no número de novos casos na cidade”.

A prefeitura disse ainda, por meio da secretaria, que a preocupação vai ocorrer se o indicador permanecer durante muito tempo acima de 1,00, ou se passar de 1,20. Isso “provocaria um crescimento no número de casos mais graves e, consequentemente, pressão sobre a infraestrutura de saúde”. Atualmente, segundo a secretaria, a taxa de contágio não está refletindo em pressão nos leitos disponíveis.

“Os indicadores permanecem em monitoramento constante. Qualquer agravamento que comprometa a capacidade de atendimento será tratado da forma devida, com o objetivo de preservar vidas”, finalizou a secretaria em sua resposta.

Fonte: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2020/11/21/coronavirus-casos-confirmados-ultrapassam-395-mil-em-minas.ghtml

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