Da enfermidade econômica à pandemia do COVID-19

Linha de pesquisa 1: Situação Fiscal

A história econômica recente do Brasil é caracterizada pelo baixo crescimento da economia, reduzidas taxas de investimento, progressivo aumento da dívida pública total como percentual do PIB e taxa de desemprego acima de 10%, o que corresponde em torno de 12 milhões de pessoas em idade ativa procurando emprego. Com os indicadores econômicos mostrando um cenário de estagnação da economia brasileira, uma série de recomendações pró mercado ganharam espaço no debate econômico nos últimos anos.

O ano de 2019 começou com otimismo no mercado financeiro e no setor produtivo. A agenda liberal proposta pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes, consistia na transformação completa da economia brasileira, visando reduzir profundamente o papel do Estado na economia e criar um ambiente institucional com reduzida regulamentação sobre os mercados (financeiro, produtivo e trabalhista).

A sociedade brasileira iniciou o ano de 2020 sob a expectativa do anúncio do crescimento do PIB para o ano de 2019. O IBGE anunciou no dia 04/03/2020 que o PIB cresceu 1,1% frente a 2018, fechando o ano em R$ 7,3 trilhões. Esse resultado frustrou alguns setores da sociedade civil, apesar das prévias do PIB apresentadas durante o ano de 2019 indicarem retomada tímida da atividade econômica.

Simultaneamente à divulgação do resultado do PIB de 2019 no Brasil, o resto do mundo já se encontrava alerta diante da propagação generalizada da COVID-19 (Corona Vírus Disease 2019). A doença foi identificada na segunda quinzena de dezembro de 2019 em Wuhan, na China e se espalhou rapidamente pelo mundo, ganhando status de pandemia global pela OMS no mês de março.

Poucos dias após a definição do surto como pandemia, foi confirmada a primeira morte no Brasil, em São Paulo. Seguindo o protocolo internacional, o Ministério da Saúde recomendou o isolamento social em todo o território nacional, levando Estados e municípios a decretarem o fechamento de todos os estabelecimentos não prioritários.

Assim posto, o ambiente econômico foi tomado pela incerteza, uma vez que o lado real da economia foi atingido pela incapacidade de dar curso à produção e geração de renda no ritmo habitual.  O setor público, e a sociedade civil se viram diante de dilemas até então desconhecidos.  A ameaça de falências, desemprego, queda de arrecadação em meio ao aumento da disseminação do vírus é um risco real.

Diante deste cenário, o objetivo desta linha de pesquisa é investigar o comportamento da economia brasileira durante o COVID-19 em nível nacional, regional e local. São consideradas duas dimensões: 1) o desempenho do setor produtivo, e; 2) o comportamento fiscal dos Estados e Municípios. Procuramos investigar essas duas dimensões a partir de uma abordagem regional adotando o critério de divisão entre regiões desenvolvidas e subdesenvolvidas.

Assim, podemos analisar se o desempenho econômico possui relação entre o grau de contaminação e o nível de desenvolvimento dos Estados e Municípios. Assumimos por hipótese, que as regiões brasileiras são heterogêneas e que essa característica contribui não somente para a disseminação do COVID-19, como também influencia o desempenho econômico durante e após a pandemia. Evidenciar essas questões é essencial para o planejamento de políticas públicas, e contribui para que a sociedade consiga minimizar os impactos decorrentes da pandemia.

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Linha de pesquisa 2: Mercado de Trabalho

A humanidade adentra a década de 2020 vivenciado a mais grave crise sanitária do último século devido ao surto de um novo coronavírus. Altamente contagiosa, a doença COVID-19 se alastrou rapidamente pelo mundo, se tornando, portanto, uma pandemia. 

Tendo o isolamento social como um dos instrumentos mais efetivos para frear o avanço da COVID-19, as atividades produtivas e de interação social tiveram que ser paralisadas por tempo indeterminado, com exceção de algumas atividades que são essenciais à sobrevivência da população. Ou seja, em um curto espaço de tempo, uma parcela dos trabalhadores deixou de exercer suas atividades laborais, outros tiveram que se adaptar ao trabalho remoto e, inúmeras pessoas precisaram continuar suas atividades profissionais para que os serviços e produtos que são indispensáveis à população continuem disponíveis, como alimentos, serviços de saúde, serviços de limpeza e de segurança pública. 

Há de se ter presente que, desde 2015, o Brasil experimenta a mais profunda crise econômica do período recente. Essa crise, que vem refletindo no avanço do desemprego, da informalidade e da subocupação da força de trabalho, faz com que o país entre na pandemia com o mercado de trabalho fragilizado, situação que tende a se agudizar. 

Diante da situação singular vivenciada, o objetivo desta linha de pesquisa é compreender as interfaces entre a pandemia e a condição laboral dos brasileiros. Focamos a atenção na identificação do perfil sociodemográfico dos trabalhadores, o que permitirá inferir se existem grupos populacionais mais propensos a serem afetados em termos de contágio por sua colocação no mercado de trabalho.

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Linha de Pesquisa 3: Redes Sociais

A disseminação acelerada da COVID-19 entre a população impôs aos governos de diversos países a necessidade de estabelecer o fechamento de estabelecimentos não essenciais e o incentivo ao isolamento social. Para além das implicações econômicas decorrentes da redução, e quando não, da paralisia das transações econômicas, efeitos diferenciados podem ser observados no comportamento social.

A deterioração das condições laborais e a expectativa negativa quanto ao futuro geram apreensão por parte dos brasileiros. A necessidade de manutenção do emprego, a inserção no mercado de trabalho pós-pandemia, a garantia de renda para a sobrevivência são algumas das questões que permeiam o pensamento dos indivíduos. As expectativas disseminadas no corpo social geram sentimentos variados como medo, ódio, negação, empatia, caridade, etc.

O objetivo desta linha de pesquisa é captar a evolução dessas percepções diante dos impactos socioeconômicos da pandemia por meio da coleta de informações nas redes sociais. Em especial, as informações são coletadas no Instagram e objetivam captar a percepção social com relação aos aspectos negativos de vulnerabilidade econômica.

As postagens nas redes sociais são uma rica fonte de informações disponíveis. Além disso, trata-se de uma fonte de dados atualizada diariamente que possibilita aferir o humor social, e identificar qual é percepção da população em relação à evolução do novo coronavírus ao longo do tempo.

As estatísticas geradas contribuem para formar um repositório de informações sobre o comportamento social durante longos períodos de confinamento decorrentes de epidemias. Isso contribui para subsidiar a formulação de políticas públicas futuras, oferendo um direcionamento mais adequado para as ações e medidas a serem tomadas em condições adversas.

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