Risco de Contágio das Atividades Econômicas, Perfil dos Trabalhadores e a Pandemia de COVID-19: Diferenciais por Sexo, Cor e Idade

Resumo: Este artigo investiga o perfil dos trabalhadores por risco de contágio nas atividades econômicas e suas interfaces com a contaminação por COVID-19. Utilizando a PNAD COVID19 e outras fontes, empregou-se análises descritivas, taxas de ocorrência e razões de sexo. Verificou-se 5,7 milhões de trabalhadores em ocupações com alto risco de contágio, com predomínio de mulheres, brancos e pessoas entre 20 e 50 anos. Quanto maior o risco, maior foi a proporção daqueles com sintomas de síndrome gripal, sendo mais predominante entre mulheres e negros. Perfil similar ao dos contaminados por COVID-19: mulheres, entre 30 e 60 anos e negros.


Palavras-chave: condições de trabalho. composição da força de trabalho. sexo. cor. COVID-19.

Abstract: This article investigates the profile of workers by the risk of contagion in economic activities and their interfaces with COVID-19 contamination. Using PNAD COVID-19 and other sources, the team employed descriptive analyzes, occurrence rates and sex ratios. It was identified that there are 5.7 million workers in high risk of contagion occupations, with a predominance of women, white individuals and people between the age of 20 and 50 years old. The higher the risk, the greater the proportion of those with flu-like symptoms, being more prevalent among women and black individuals. Similar profile to those contaminated by COVID-19: women, between 30 and 60 years old and black.


Keywords: working conditions. labor force composition. sex. color. COVID-19.


1. INTRODUÇÃO

A humanidade adentra a década de 2020 sendo assolada pela pandemia de Coronavirus Disease 2019 – COVID-19, doença nova e altamente contagiosa, que tem imposto uma conjuntura socioeconômica sem paralelos na história recente. Originário da China, na cidade de Wuhan, o novo coronavírus, até o dia 24 de setembro, já se faz presente em 188 países, com mais de 31,9 milhões de pessoas infectadas e mais de 977 mil mortes (Coronavirus Research CenterJohn Hopkins University & Medicine[1]).

A doença COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2 (severe acute respiratory syndrome coronavirus 2), se espalha de pessoa para pessoa pelas gotículas do nariz e da boca, geralmente quando alguém espirra, tosse ou fala, sendo o contato social próximo o maior modo de transmissão (DEL FAVA et al., 2020). Assim, as medidas de distanciamento social são, até o momento, as mais efetivas para conter o avanço da contaminação e, em decorrência, a economia e as atividades de interação social tiverem que ser paralisadas. Neste novo cenário, o mundo laboral sofreu transformações, como uma divisão entre atividade essencial e não essencial ao funcionamento da sociedade, com a primeira podendo prosseguir sua rotina e a segunda tendo de ser paralisada ou adequada a execução remota, a fim de que se reduza o contágio.

A literatura já registra que o ambiente de trabalho, e não apenas nas funções afeitas a área da saúde, tem sido foco de disseminação da doença, a despeito das medidas de biossegurança adotadas. Assim, para que se tenha respostas adequadas à gravidade do momento é imperativo o entendimento da intensidade da doença por características demográficas e de atividade econômica desempenhada (BHOPAL; BHOPAL, 2020; WENHAM; SMITH; MORGAN, 2020).

Este artigo objetivou definir o perfil dos trabalhadores brasileiros, considerando uma tríade – alto, médio e baixo – de risco de contágio da atividade laboral, bem como o cotejamento desse perfil com o de contaminados e mortes por COVID-19. Espera-se, deste modo, contribuir para o entendimento dos diferenciais de sexo, cor e idade na contaminação e morte por COVID-19.

O texto encontra-se dividido em duas seções além desta introdução e das considerações finais. Na primeira são apresentadas as bases de dados e métodos de análise utilizados. E na segunda seção se têm os resultados.


2. METODOLOGIA

2.1. Fonte de Dados

A disponibilidade de informações sobre casos confirmados e óbitos por COVID-19 são cruciais para que respostas eficazes possam ser tomadas para mitigar os efeitos da pandemia na sociedade. Mas, ao utilizar tais informações é preciso ter em consideração suas limitações. Uma delas é a subnotificação, decorrente, além da baixa testagem da população, de casos assintomáticos e de contaminados que apresentam sintomas leves a moderados e não buscam serviços de saúde para fazer o teste.

Alguns estudos estimam que para cada caso confirmado, haveriam cerca de mais 7 casos não confirmados no Brasil. Por sua vez, os óbitos por COVID-19 estão sujeitos a erros de classificação, o que também pode alterar suas estatísticas (RIBEIRO; BERNARDES, 2020; SOUZA et al, 2020; GALLO, 2020). Além disso, quando o interesse são as informações desagregadas por sexo, raça/cor e idade, verifica-se que os dados disponíveis sobre contaminados não se referem a todos os casos contabilizados.

Assim, para que a análise dos diferenciais entre os sexos seja feita, assume-se que as distribuições de idade e sexo dos contaminados e mortes por COVID-19 são precisas, e que não se alterariam por conta do subregistro ou diferenciais de cobertura por região do país (GOLDSTEINA; LEE, 2020). O mesmo se aplica as informações sobre raça/cor, que apresentam um subregistro ainda maior.

Feita essas ponderações, os dados utilizados nesta pesquisa sobre contaminados por sexo e idade são provenientes das Notificações de Síndrome Gripal (SG). Esses dados são oriundos do sistema e-SUS NOTIFICA, criado para registrar os casos de Síndrome Gripal suspeitos de COVID-19. Destaca-se que não há informações de municípios que utilizam sistemas próprios de notificação de casos suspeitos e, por isso, não se referem à completude dos casos confirmados no país. Foram considerados os casos em que havia a declaração da idade e sexo do indivíduo e que a classificação final do caso foi de confirmado para a doença. O período coletado foi do início da pandemia até o dia 14 de agosto, com a coleta feita no dia 20 de agosto.

Comparando, no mesmo período, o número de casos confirmados de COVID-19 do banco da SG com os disponibilizados pelo Brasil.io[2], que tem como fonte os casos confirmados pelas 27 Secretarias Estaduais de Saúde, estima-se uma cobertura das informações de sexo e idade de cerca de 54% dos casos confirmados no Brasil, variando entre 43% do total na região Nordeste, 53% no Centro-Oeste, 56% no Norte, 57% no Sul até 64% no Sudeste.

Os dados sobre mortes, que incluem as confirmadas para COVID-19 e também as suspeitas, que disponibilizam a informação de sexo e faixa etária, foram obtidos do Portal da Transparência do Registro Civil, por meio do painel registral Especial COVID-19, que tem como fonte a Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional). Os dados também foram coletados até o dia 14 de agosto, com a coleta feita no dia 31 de agosto.

Por sua vez, os dados relacionados a confirmados e óbitos que dispunham da informação de raça/cor são oriundos das notificações para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A vigilância da SRAG foi implementada em 2009, pelo Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) e, em 2020, devido a pandemia, as infecções causadas pelo novo Coronavírus foram incorporadas na base de dados (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2020). Até o dia 14 de agosto, foram registrados 3.284.242 casos de COVID-19 no Brasil, sendo que no banco de dados da SRAG foram registrados 335.525 casos (dados coletados em 02 de setembro), ou seja, apenas 10% do total, variando entre 6,52% do total na região Centro-Oeste, 7% no Norte, 7,6% no Nordeste, 9,2% no Sul e 14,5% no Sudeste.

Optou-se por utilizar a SRAG como fonte de informação sobre as pessoas que necessitaram de internação, dado que essa foi a condição de 94% dos casos confirmados nesse banco de dados. Sua utilização também assume que a distribuição das características de raça/cor e idade não variam por conta de um possível subregistro de internações ou diferenças de cobertura entre as regiões.

Com isso, foi possível calcular a taxa de internação (número de internados pela população) por raça/cor e faixa etária. Para estimar a população por raça/cor, a distribuição dessa característica foi obtida por meio das PNADs COVID-19 (média dos meses de maio, junho e julho) e foi aplicada a população projetada pelo IBGE. Também foi considerada a taxa de letalidade das internações (óbitos dos internados pelo total de internados) por raça/cor e faixa etária.

Ressalta-se que, pela baixa frequência de contaminados de raça/cor amarela (1,14% do total) e indígena (0,34%), os mesmos não são considerados na análise, enquanto pretos (4,7%) e pardos (33,77%) foram agregados na categoria negros, que é utilizada na comparação com os brancos (31,8%).

Utilizou-se neste estudo também os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD COVID19. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que realizou a pesquisa em parceria com o Ministério da Saúde, foi o primeiro do mundo a realizar um levantamento amostral de base domiciliar por meio de entrevistas telefônicas durante a pandemia para quantificar seus efeitos (PENNA et al, 2020).

A criação da PNAD COVID19 foi feita com base na PNAD Contínua do 1º trimestre de 2019. A PNAD COVID19 é realizada em todo o Brasil por entrevistas por telefone. Cerca de 193 mil domicílios são entrevistados todo mês, sendo que o morador que atende ao telefone responde o questionário por todos os moradores do domicílio (IBGE, 2020a; IBGE, 2020b).

As demandas consideradas na construção da pesquisa e utilização da amostra foram: i) em nível nacional e por grandes regiões, produzir estimativas semanais da população com sintomas de síndrome gripal, providências tomadas por aqueles com sintomas e também estimativas da taxa de desocupação da população de 14 anos ou mais e; ii) em nível nacional e das 27 unidades da federação, estimativas mensais da taxa de desocupação e outros indicadores do mercado de trabalho, da população com 14 anos ou mais.

Com relação as inferências mensais, a PNAD COVID19 seria idêntica a PNAD Contínua, com exceção da não obtenção dos números de telefone de parte dos domicílios da amostra, o que ocorreu em 8% da amostra, e pela perda de domicílios durante a coleta. Destaca-se, ainda, que a amostra é fixa, assim, os domicílios entrevistados no primeiro mês permanecem nos meses subsequentes (IBGE, 2020a; IBGE, 2020b).

Assim, destaca-se que a PNAD COVID19 é uma pesquisa ampla que contempla informações demográficas, sobre o mercado de trabalho e sintomas associados à síndrome gripal. Para efeito deste estudo, obteve-se os dados sobre sintomas de síndrome gripal por meio daquelas que declararam ter sentido ao menos um dos sintomas dessa síndrome na semana que foram entrevistados, nas PNADs COVID19 de maio, junho e julho[3]. Dessa mesma base, foram obtidas as informações que possibilitaram criar a tríade – alto, médio e baixo – de risco de contágio por atividade econômica e a distribuição dessas informações por sexo, raça/cor e idade.

O tamanho da população total brasileira e por macrorregiões considerado neste estudo, para calcular as diversas taxas de ocorrência, teve por base a projeção populacional para julho de 2020, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na edição de 2018.

2.2. Definição de Risco de Contágio por Atividade Econômica

A classificação de risco de contágio das atividades econômicas foi feita por meio de uma adequação do trabalho de Lima, Costa e Souza (2020)[4]. Os pesquisadores estimaram, para o caso brasileiro, um índice de risco de contágio por ocupação, por município e por atividade. De modo geral, foi considerada a frequência que o exercício da ocupação/atividade demanda exposição às doenças ou infecções, a necessidade de realização de tarefas em estrita proximidade física com outras pessoas e, o período de tempo em que o exercício da ocupação/atividade exige que se tenha contato com outras pessoas. Para a construção dos índices de contágio os pesquisadores utilizaram os dados de pessoas empregadas da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2018 (ano mais recente disponível), que traz informações referentes aos trabalhadores formais.

No caso deste estudo, foram agrupadas as atividades declaradas nas PNADs COVID19 em alto, médio e baixo risco de contágio, em conformidade com a classificação feita por Lima, Costa e Souza (2020). Esse agrupamento possibilita saber quem são, em termos de características demográficas, os trabalhadores mais expostos a COVID-19. Além disso, permite identificar o perfil demográfico dos trabalhadores que declararam sintomas de síndrome gripal no período da pandemia, conforme o risco das atividades desempenhadas. Tais informações contribuem para o entendimento dos diferenciais de contaminação e óbito por COVID-19, tendo o potencial de auxiliar na tomada de medidas mais adequadas para redução da contaminação.

Para utilizar o índice de risco de contágio dos trabalhadores com base nos dados da PNAD COVID19 foi necessária considerável adaptação frente ao que foi feito por Lima, Costa e Souza (2020), dado o pouco número de atividades disponíveis no questionário da PNAD COVID19 (apenas 25), o que pode levar a imprecisões na classificação. Apesar da limitação, o cruzamento de informações entre o risco de contágio das atividades e a proporção dos trabalhadores que declararam ter sentido algum sintoma relacionado a síndrome respiratória na semana anterior a entrevista se justifica pelo avanço que pode proporcionar no entendimento da doença (além de ser, em si, uma corroboração da adequação da classificação).

Como atividades de alto risco foram consideradas aquelas com um índice no valor de 70 pontos ou mais, entre as atividades de médio risco aquelas entre 60 e 70 pontos e, as inferiores a 60 pontos, foram denominadas de baixo risco.[5] A Tabela 1 mostra a classificação das atividades pelas categorias de risco. Ressalta-se que a atividade que foi enquadrada como de alto risco de contágio foi a da área da saúde, já comprovada como de maior risco, dado a exposição frequente a pacientes infectados por COVID-19 (WHO, 2020).

Tabela 1 – Atividade por risco de contágio


Principal atividade do local ou empresa em que trabalha

Risco de Contágio

Saúde humana e assistência social

Alto

Administração pública (governo federal, estadual e municipal)

Médio

Atividade artísticas, esportivas e de recreação

Cabeleireiros, tratamento de beleza e serviços pessoais

Educação

Informação e comunicação (jornais, rádio e televisão, telecomunicações e informática)

Transporte de passageiros

Agricultura, pecuária, produção florestal e pesca

Baixo

Armazenamento, correios e serviços de entregas

Atividades de locação de mão de obra, segurança, limpeza, paisagismo e teleatendimento

Atividades imobiliárias

Bancos, atividades financeiras e de seguros

Construção

Comércio no atacado e varejo

Escritórios de advocacia, engenharia, publicidade e veterinária (Atividades profissionais, científicas e técnicas)

Extração de petróleo, carvão mineral, minerais metálicos, pedra, areia, sal etc.

Fornecimento de eletricidade e gás, água, esgoto e coleta de lixo

Hospedagem (hotéis, pousadas etc.)

Indústria da transformação (inclusive confecção e fabricação caseira)

Organizações religiosas, sindicatos e associações

Reparação de veículos automotores e motocicletas

Serviço de alimentação (bares, restaurantes, ambulantes de alimentação)

Serviço doméstico remunerado

Transporte de mercadorias

Outro

Fonte: Elaborado pelos autores com base em Lima, Costa e Souza (2020).

Destaca-se que a categorização das atividades por risco de contágio não capta as mudanças na forma de exercer o desempenho das atividades, com isso, o número de trabalhadores em risco de contágio médio e alto está sobrerrepresentado, dado que algumas atividades foram paralisadas ou realizadas de forma remota no período considerado. Assim, os resultados devem ser entendidos como um indicativo do montante total de trabalhadores expostos em um cenário de desempenho habitual das atividades.

2.3. Estatísticas Descritivas

A análise dos diferencias por sexo e cor são feitas com base em estatísticas descritivas e por meio de taxas de ocorrência. A taxa de ocorrência é a razão entre o número de ocorrências pelo número de pessoas expostas a ocorrência, sendo a ocorrência o fenômeno que se deseja investigar. Diversas taxas de ocorrência serão consideradas, como de pessoas que declararam sintomas de SG e de contaminados, internados e de óbitos por COVID-19 (as taxas serão apresentadas no formato de proporções e também como o número de ocorrências por 1.000 habitantes).

Nas análises que comparam homens e mulheres, também foram calculadas as razões de sexo. A razão de sexo é definida como a divisão entre o número de homens pelo número de mulheres. Com ela é possível identificar, por exemplo, o número de homens contaminados para cada mulher contaminada. Quando o valor da razão de sexo é igual a 1 há um equilíbrio entre os sexos, quando é maior do que 1 indica maior risco para os homens e, inferior a 1, maior risco para as mulheres. As razões de sexo apresentadas são calculadas sobre as taxas de ocorrência (proporções) com o objetivo de eliminar o efeito do tamanho da população, fazendo com que a razão se torne uma medida de risco relativo entre os sexos (SOBOTKA, et al., 2020; SOUZA; RANDOW; SIVIERO, 2020).

Para verificar se as diferenças entre mulheres e homens e entre negros e brancos são significativas, foi utilizado o teste de Qui-quadrado de Pearson (χ²) para a proporção dos que declararam sintomas e também para a distribuição nas atividades por risco de contágio com relação aos dados disponíveis nas PNADs COVID-19. O teste também foi empregado para verificar as diferenças entre brancos e negros, no banco de dados da SRAG, com relação a proporção dos internados que morreram por conta da doença.

Cabe ressaltar novamente, que as informações disponíveis de contaminados pela COVID-19 não se referem a todos os casos contabilizados e as informações referentes aos óbitos incluem não apenas os confirmados, mas também as mortes suspeitas. Assim, as taxas calculadas são utilizadas para verificar os diferenciais entre idades, sexo e cor, o que é feito assumindo que as distribuições de idade, sexo e cor dos sintomáticos, contaminados, internados e das mortes por COVID-19 não se alterariam por conta do subregistro ou diferenciais de cobertura por região do país (GOLDSTEINA; LEE, 2020).


3. RESULTADOS

A manutenção de atividades econômicas essenciais representa maior exposição ao vírus para aqueles que nelas trabalham. Para muitos há alta exposição ao vírus no exercício direto da função, como é o caso dos profissionais da saúde. Para outros, há exposição pelo simples fato de encontra-se ocupado em atividades que requerem interação social. Conforme Lee e Kim (2020), o surto de COVID-19 em vários locais de trabalho chamou a atenção ao fato de que além dos profissionais da saúde outras categorias ocupacionais são vulneráveis ao contágio e, podem ser vetor de transmissão da doença.

Assim, os autores ponderam que pesquisadores internacionais têm desenvolvido listas de ocupações com maiores chances de contaminação da COVID-19, considerando fatores como proximidade física no ambiente de trabalho, exposição a doenças infecciosas e interação social. Este trabalho segue essa linha de investigação, sendo analisado o perfil dos trabalhadores considerando a tríade de alto, médio e baixo risco da atividade em termos de contágio, bem como a declaração de sintomas da síndrome gripal.

Nota-se na Tabela 2, que mais de 5 milhões de brasileiros, nos três meses considerados, estavam ocupados em atividades com alto risco de contágio da COVID-19. Se considerado as ocupações com médio risco de contágio, mais de 16 milhões de brasileiros, entre maio a julho de 2020, em alguma medida, podem ter sido expostos ao vírus devido ao exercício da profissão. O total de trabalhadores com chances alta ou moderada de contágio de COVID-19 em exercício da profissão chega, assim, a mais de 22 milhões de brasileiros.

Esses números revelam que o ambiente de trabalho é um espaço preocupante de disseminação da COVID-19, na medida em que mais de 25% da força de trabalho brasileira exerce atividade que as coloca em exposição ao vírus (risco alto e médio de contágio). Considerando o caso dos Estados Unidos, Baker, Peckham e Seixas (2020), encontraram que 10% da força de trabalho – por volta de 14,4 milhões de trabalhadores – estavam atuando em ocupações nas quais a exposição a doenças ou infecções ocorre pelo menos uma vez por semana. E, Lee e Kim (2020), considerando 30 ocupações de alto risco de contágio na Coréia estimaram que por volta de 1,5 milhões de trabalhadores estariam altamente expostos ao vírus.

Tabela 2 – Total de trabalhadores ocupados, por risco de contágio da atividade, Brasil – maio, junho, julho-2020


Risco de contágio da atividade

Maio

Junho

Julho

Alto

5.655.688

5.708.809

5.780.665

Médio

16.498.882

16.625.113

16.157.397

Baixo

61.333.927

60.369.513

58.802.653

Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID19 de maio, junho e julho.

Tendo em conta essa preocupante relação entre atividade laboral e risco de contágio, quem são os trabalhadores brasileiros mais expostos à COVID-19? O Gráfico 1 revela que, nos três meses considerados, há uma notória diferença no perfil por sexo das atividades conforme risco de contágio no Brasil. A partir dos resultados mostrados no Gráfico 1, verifica-se que a presença feminina vai diminuindo conforme cai o grau de risco de contaminação, ao passo que o movimento contrário ocorre com a presença masculina. Essa associação é confirmada pelo teste de Qui-quadrado com 99% de confiança.

Considerando os extremos, no alto risco de contágio a presença feminina é por volta de 45 pontos percentuais (p.p.) superior a masculina e, no baixo risco de contágio, a presença masculina é cerca de 26 p.p. superior a feminina. Esses números indicam que as mulheres tendem a estar mais expostas a COVID-19 devido ao exercício da função laboral. Situação que pouco se altera considerando 3 meses de pandemia – maio, junho e julho. Analisando o caso da Coreia, Lee e Kim (2020), também encontraram que ocupações com maior proporção de mulheres apresentaram maiores chances de terem risco de infecção por COVID-19.

Gráfico 1 – Proporção de pessoas por sexo e risco de contágio da atividade – Brasil – maio, junho e julho de 2020

Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID19 de maio, junho e julho.

Ao considerar a raça/cor dos trabalhadores conforme atividade por risco de contágio, mostrada no Gráfico 2, nota-se que a presença dos brancos aumenta à medida que se caminha para as atividades com maior risco de contágio, já a presença dos negros caminha em sentido contrário (associação confirmada, pelo teste Qui-quadrado, com 99% de confiança).

A diferença no caso da raça/cor não é tão expressiva como no caso do sexo. Na atividade com risco alto de contágio a presença dos brancos, ao longo dos três meses, oscila em torno de 52% e para os negros em torno de 48%. Já na atividade com baixo risco de contágio a presença dos brancos fica, no período analisado, em torno de 46% ao passo de 54% para os negros. Por meio desses dados, se poderia inferir que os brancos são levemente mais expostos a COVID-19 devido ao exercício da profissão.

Estudos mostram, por exemplo, que a exposição aos riscos de contaminação está associada à estrutura de relações de trabalho entre categorias profissionais. No caso dos profissionais de saúde, predominam médicos e enfermeiros brancos, enquanto que técnicos e auxiliares são em grande medida negros, denotando que políticas de inclusão ainda não surtiram o efeito esperado (LOMBARDI; CAMPOS, 2018; PORTES; DALLEGRAVE, 2020). Esse fato pode explicar a menor presença dos negros em atividades com alto risco de contágio ao COVID-19.

Gráfico 2 – Proporção de pessoas por cor e risco de contágio da atividade – Brasil – maio, junho e julho de 2020

Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID19 de maio, junho e julho.

A Figura 1 mostra a distribuição dos trabalhadores conforme faixa etária e grau de risco de contágio da atividade. Nota-se que, nos três meses analisados e para as três categorias de risco, a faixa etária com maior proporção de trabalhadores foi a de 30 a 39 anos, seguida da de 40 a 49 anos e da de 20 a 29 anos, concentrando, em todos os casos, mais de 70% dos trabalhadores nessas três faixas etárias.

Figura 1 – Proporção de pessoas por faixa etária e risco de contágio da atividade – Brasil – maio, junho e julho de 2020

Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID19 de maio, junho e julho.

Na tentativa de fazer inferências mais puras entre a atividade laboral e a contaminação na pandemia, as tabelas abaixo mostram a proporção de pessoas que declararam ter sintomas de síndrome gripal considerando a tríade – alto, médio, baixo – das atividades por risco de contágio.

Na Tabela 3 observa-se que, entre as mulheres a proporção de pessoas que declaram ter tido sintomas de síndrome gripal é maior entre as que trabalhavam em atividades com risco alto de contágio. No caso dos homens, em junho e julho a maior proporção dos que declararam ter sintomas da doença estavam em atividades com risco médio de contágio. O fato pode guardar relação com a concentração de mulheres no setor de saúde, reconhecidamente tido como o mais exposto ao vírus. Nota-se também, em todas as categoriais de atividade, que mais mulheres declararam ter sintomas da doença do que homens, com os testes de Qui-quadrado comprovando a relação entre as variáveis sexo e proporção dos que declararam sintomas, com 99% de confiança.

Tabela 3 – Proporção de pessoas com sintomas de síndrome gripal, por sexo e risco de contágio da atividade, Brasil, maio, junho e julho de 2020


Risco de contágio da atividade

Maio (%)

Junho (%)

Julho (%)

Mulher

Homem

Mulher

Homem

Mulher

Homem

Alto

18,33

14,87

12,1

8,81

10,48

6,57

Médio

16,71

14,06

10,73

9,07

9,19

7,41

Baixo

15,54

11,53

10,01

7,2

8,83

6,57

Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID19 de maio, junho e julho.

Quando o olhar é direcionado para a raça/cor, como ilustra a Tabela 4, nota-se que a proporção de declarantes com sintomas de síndrome gripal é maior na atividade com risco alto de contágio, exceção para os brancos no mês de julho que a proporção foi maior em atividade com risco médio de contágio. Para as três categoriais de atividade, ao longo do período analisado, mais negros do que brancos declararam ter tido sintomas de síndrome gripal, diferença estatisticamente significativa a 1%, em todos os períodos, conforme teste de Qui-quadrado.

Tabela 4 – Proporção de pessoas com sintomas de síndrome gripal, por cor e risco de contágio da atividade, Brasil, maio, junho e julho de 2020


Risco de contágio da atividade

Maio (%)

Junho (%)

Julho (%)

Negros

Brancos

Negros

Brancos

Negros

Brancos

Alto

18,33

14,87

12,43

7,67

10,11

8,86

Médio

16,71

14,06

11,26

8,51

8,46

8,29

Baixo

15,54

11,53

8,68

7,67

7,83

6,81

Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID19 de maio, junho e julho.

A Tabela 5, abaixo, ilustra a proporção das pessoas que declararam sintomas considerando a faixa etária e atividade nos meses de maio, junho e julho. Observa-se que, dentro do grupo de atividade com risco alto de contágio, no mês de maio, as três maiores proporções dos que declararam ter sintomas de síndrome gripal foram, respectivamente, entre 30 a 39 anos, 20 a 29 anos e, 50 a 59 anos. No mês de junho foram entre 30 a 39 anos, 50 a 59 anos e, 20 a 29 anos, respectivamente. E, em julho, foram, respectivamente 60 a 69 anos, 70 a 79 anos e 30 a 39 anos.

Pegando o oposto, grupo de atividade com risco baixo de contágio, tem-se que, para o mês de maio, as três principais faixas etárias foram, respectivamente, 30 a 39 anos, 70 a 79 anos e, 40 a 49 anos. Em junho, as faixas etárias que se destacaram foram, respectivamente, 80 anos e mais, 40 a 49 anos e, 30 a 39 anos. E, em julho, teve-se que as faixas etárias como maiores proporções foram, respectivamente, 70 a 79 anos, 30 a 39 anos e, 40 a 49 anos.

O que se nota desses dados é ausência de um padrão claro entre atividade por risco de contágio, faixa etária e sintomas, com comportamento mudando a depender do mês de análise. Também pode depreender que na atividade com risco alto de contágio tem mais declarantes jovens e adultos com sintomas de síndrome gripal.

Tabela 5 – Proporção de pessoas com sintomas de síndrome gripal, por faixa etária e risco de contágio da atividade, Brasil, 2020


Maio

Risco de contágio da atividade

Faixa etária (%)

14 a 19

20 a 29

30 a 39

40 a 49

50 a 59

60 a 69

70 a 79

80 +

Alto

9,8

17,44

19,44

16,1

17,09
   
12,48   

13,21

0,00

Médio

18,93

14,33

17,67

14,94
   
14,78   

12,02

13,32

0,00

Baixo

9,87

12,86

14,57

13,10
   
12,19   

10,39

13,88

8,73

Junho

Risco de contágio da atividade

Faixa etária (%)

14 a 19

20 a 29

30 a 39

40 a 49

50 a 59

60 a 69

70 a 79

80 +

Alto

8,65

11,85

11,89

9,89

11,88

8,89

3,33

0,00

Médio

10,67

9,2

10,96

10,11

9,74

7,23

8,42

10,85

Baixo

5,53

8,00

8,60

8,73

7,98

7,84

8,37

11,94

Julho

Risco de contágio da atividade

Faixa etária (%)

14 a 19

20 a 29

30 a 39

40 a 49

50 a 59

60 a 69

70 a 79

80 +

Alto

9,15

9,28

10,13

8,69

8,7

11,74

11,72

0,00

Médio

8,73

8,11

8,95

8,72

7,72

6,19

7,96

0,00

Baixo

5,80

7,30

7,95

7,32

7,21

6,5

8,21

6,83

Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID19 de maio, junho e julho.

Uma vez apresentados os dados provenientes de uma base domiciliar sobre o perfil dos trabalhadores, por risco de contágio, e a declaração de sintomas gripais, a atenção se debruça sobre os registros oficiais de contaminados e mortes por COVID-19. Em fevereiro de 2020 foi registrado no Brasil o primeiro caso de COVID-19 na cidade de São Paulo. Desde então a contaminação se alastrou por todo país, tendo casos de contaminados e mortes das grandes as pequenas cidades. Mediante o alto quantitativo de contaminados e mortes, que já passa, em 20 de outubro de 2020, da casa dos 5,2 milhões e 154 mil, respectivamente, é importante conceder uma face – sexo, cor e idade – a esses números.

Os dados oficiais de contaminados pela COVID-19, que dispõe a informação do sexo, mostram uma prevalência de mulheres em todas as regiões do país, mesmo que não muito elevada. Um maior equilíbrio entre os sexos ocorre nas regiões Centro-Oeste e Sul, em que as mulheres são cerca de 52% do total de contaminados. Nas regiões Norte e Sudeste, cerca de 54% do total eram mulheres e, na região Nordeste, mais de 55% dos contaminados eram do sexo feminino.

Ressalta-se que, assim como nos achados de Sobotka et al (2020), que analisou informações de dez países europeus, a relativa igualdade entre sexos, quando considerado o total de casos, não permanece quando analisadas as taxas de contaminação ao longo das idades.

A Figura 2 expõe, por faixa etária, as taxas de infecção por 1.000 habitantes, de mulheres e homens, e a razão de sexo das taxas de infecção das regiões do país e do Brasil como um todo (as linhas laranjas são referentes as taxas de infecção das mulheres e as verdes a dos homens, ambas referentes ao eixo esquerdo, enquanto a linha pontilhada preta é a razão de sexo das taxas, com sua escala no eixo direito). Por meio dela vê-se que os diferenciais entre homens e mulheres contaminados não são homogêneos quando se passa a considerar a idade.

Com relação as taxas de infecção por sexo, tem-se uma maior taxa entre as mulheres, considerando jovens e adultos e, nas faixas etárias mais avançadas, entre a dos 50 a 59 anos e 60 aos 69 anos, ocorre inversão e os homens passam a apresentar as maiores taxas de infecção, padrão que ocorre em todas as regiões do país. As razões de sexo inferiores a 1 até a faixa etária dos 50 aos 59 anos, confirmam que haviam mais mulheres contaminadas do que homens e, que entre os mais velhos, com a razão de sexo superior a 1, houve maior número de homens entre os contaminados.

Considerando a idade, observa-se que, de modo geral, as maiores taxas de infecção ocorrem nas idades adultas, principalmente entre os 30 e 50 anos (com exceção dos homens nas regiões Norte e Nordeste, em que as maiores taxas de contaminados por 1.000 habitantes foram nas idades mais avançadas, entre os que tinham 80 anos e mais), justamente as idades de maior concentração dos trabalhadores, como exposta na Figura 1. As taxas de infecção mais elevadas nas idades adultas indicam que a comparação com o perfil dos trabalhadores por risco de contágio das atividades produtivas é pertinente e pode contribuir no entendimento dos diferenciais por sexo.

Figura 2 – Taxas de infecção da COVID-19 por sexo e faixa etária, por 1.000 habitantes (eixo esquerdo) e razão Homem/Mulher das taxas por faixa etária (eixo direito) – Grandes Regiões e Brasil*

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Fonte: Elaborado a partir das Notificações de Síndrome Gripal do e-SUS NOTIFICA até o dia 14 de agosto.*a escala varia entre os gráficos.

Comparando com os resultados de Sobotka et al (2020), que averiguaram os diferenciais das taxas de infecção por sexo de dez países europeus, verificam-se semelhanças: as mulheres também superam os homens entre os contaminados nas idades adultas e, nas idades mais avançadas, também ocorre a inversão e são os homens os mais prevalentes. Como uma das explicações para a maior infecção das mulheres nas idades produtivas os autores apontam sua maior presença nas atividades em que ocorre maior exposição à doença. Essa situação também ocorre no Brasil, como mostra o Gráfico 1, em que mais 70% dos trabalhadores alocados nas atividades de alto risco de contágio são mulheres, sendo justamente as atividades de alto risco as de saúde humana e assistência social.

Goujon et al (2020) consideraram vários estados da Europa também encontram essa inversão entre os sexos. Os autores destacam que a pouca testagem da população reforça a questão: a predominância de mulheres nas idades adultas pode estar associada à sua maior presença nas atividades de saúde, que requerem maior testagem e, nas idades mais velhas, a maior presença dos homens pode decorrer de sua maior probabilidade de agravamento da doença e, portanto, também seria maior a testagem desse grupo. Destaca-se que a pouca testagem também deve ser um fator considerado no Brasil, segundos dados do WorldoMeters[6], até o dia 23 de setembro, apenas pouco mais de 84 mil testes haviam sido realizados por 1 milhão de habitantes (enquanto esse valor era de mais de mais de 111 mil na China e 301 mil nos Estados Unidos).

Para avançar na questão foram consideradas as razões de sexo dos trabalhadores, por risco de contágio da atividade desempenhada e também os diferenciais das taxas dos que declararam algum sintoma de síndrome respiratória, disponíveis pelas PNADs COVID19. A Figura 3 mostra as razões de sexo das taxas dos sintomáticos (em tons de cinza) e dos que trabalhavam em atividades de risco alto (em tons laranjas), médio (em tons de amarelo) e baixo (em tons de verde) de contágio, para os meses de maio (linhas contínuas), junho (linhas pontilhadas) e julho (linhas tracejadas). A idade foi limitada entre 20 a 69 anos para excluir os grupos etários que tem menor participação no mercado de trabalho, evitando oscilações resultantes da baixa proporção.

Observando as razões de sexo das taxas das atividades por risco de contágio, destacam-se as diferenças por risco; quanto maior o risco de contaminação, menor é a razão de sexo, ou seja, maior é a participação das mulheres. Enquanto as razões de sexo das atividades de alto risco são inferiores a 1, que é o valor que indica equilíbrio entre os sexos, as de médio risco ficam mais próximas de 1 e as de baixo risco são consideravelmente superiores a 1, indicando grande concentração de homens.

Quando consideradas as razões de sexo dos que declararam sintomas, verifica-se que as mesmas ficam entre as de alto e médio risco, ou seja, assim como no caso dos contaminados, há maior presença de mulheres entre os que declararam sintomas, possivelmente relacionada a sua maior participação entre as atividades de maior risco de contágio.

Também é preciso destacar que, com o avanço das faixas etárias, ocorre um aumento das razões de sexo de todos os tipos de atividade. As de médio risco chegam a ficar com valores superiores a 1, principalmente na faixa dos 60 a 69 anos, possivelmente impactando na maior concentração de homens contaminados, em comparação com as mulheres, nas faixas etárias mais avançadas.

Figura 3 – Razões de sexo das taxas das atividades por risco de contágio e dos que declararam sintomas de síndrome gripal, por faixa etária*

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Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID-19 de maio, junho e julho. *a escala varia entre os gráficos.

Para entender o perfil demográfico associado a evolução da doença, a Figura 4 traz as razões de sexo das taxas dos que declararam sintomas de síndrome gripal (média das razões dos três meses da PNAD COVID19), das taxas de infecção e das taxas de mortalidade por COVID-19. De modo geral, destaca-se o aumento das razões de sexo conforme se passa dos que declararam sintomas de síndrome gripal, para os contaminados e para os óbitos pela doença. Enquanto entre as taxas de contaminados ocorre maior presença de homens do que de mulheres apenas nas faixas etárias mais velhas, entre os óbitos a maior presença dos homens é verificada em quase todas as faixas etárias, comportamento que ocorre em todas as regiões do país.

O risco de morte aumenta com a idade, e, com relação aos óbitos por COVID-19, algumas pesquisas mostram que esse comportamento é muito semelhante ao da mortalidade de modo geral. Já quando considerado o sexo, também se verifica, na maioria dos países do mundo, uma maior mortalidade entre os homens. No caso dos óbitos por COVID-19 esse também tem sido o caso, porém o comportamento ao longo das idades é mais errático (GUILMOTO, 2020; GOLDSTEINA; LEE, 2020).

Nota-se que, de modo geral, a partir da faixa etária dos 20 aos 29 anos inicia-se o aumento da razão de sexo dos óbitos, ou seja, conforme se avança na idade maior é o número de óbitos masculinos por femininos (as oscilações abaixo dessa faixa etária podem ser atribuídas a baixa mortalidade da doença entre as crianças e jovens). Nas faixas etárias mais velhas se observa uma queda nas razões de sexo, no entanto as mesmas ainda ficam em torno de 1,5 na faixa dos 80 anos e mais.

Algumas das explicações levantadas para a maior letalidade da doença entre os homens estão relacionadas a fatores sociais e comportamentais de gênero, maior incidência de comorbidades entre os homens e fatores genéticos. Destaca-se a maior prevalência de hipertensão, doença cardiovascular, doença pulmonar e menos lavagem das mãos entre os homens e também maior consumo de álcool e fumo, por exemplo, que são mais associados a comportamentos masculinos (BHOPAL; BHOPAL, 2020; CHEN et al, 2020; GUILMOTO, 2020; GOLDSTEINA; LEE, 2020; KRIEGER; CHEN; WATERMAN, 2020; THE LANCET, 2020; WHO, 2020).

Figura 4 – Razão Homem/Mulheres das taxas dos que declararam sintomas de síndrome gripal, das taxas de infecção e das taxas de mortalidade por COVID-19, por faixa etária – Grandes Regiões e Brasil

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Fonte: Elaborado a partir das PNADs COVID19 de maio, junho e julho, das Notificações de Síndrome Gripal do e-SUS NOTIFICA e da Central de Informações do Registro Civil - CRC Nacional, ambos até o dia 14 de agosto.

Na sequência são abordados alguns dos diferenciais entre negros e brancos. Na Figura 5, que traz as taxas dos que declararam sintomas de síndrome gripal por risco de contágio da atividade, para brancos e negros, nos meses de maio, junho e julho, é possível identificar duas tendências. Uma delas é a queda, considerando o mesmo risco de contágio, nas taxas de declaração de sintomas no decorrer do período.

As exceções foram na região Sul, nas atividades de alto risco e entre os negros nas atividades de baixo risco e, no Centro-Oeste, entre os negros nas atividades de alto risco, entre os brancos nas atividades de médio risco e para todos nas atividades de baixo risco. Em todos esses casos houve um aumento nas taxas de contaminação no mês de julho em comparação com o mês de junho.

A outra tendência, apesar de algumas exceções, é a queda, quando considerado o mesmo período, da taxa dos que declararam sintomas de síndrome gripal com relação ao risco de contágio da atividade, com maiores taxas de sintomáticos entre aqueles que trabalhavam em atividades de alto risco, seguido das de risco médio e baixo, respectivamente.

A queda das taxas ao longo dos meses indica uma redução da disseminação da doença, mas tal queda deve ser entendida diante do fato de que a amostra da PNADs COVID19 é fixa, ou seja, que os domicílios entrevistados são os mesmos todo mês.

Figura 5 – Taxas dos que declararam sintomas de síndrome gripal por cor e risco de contágio da atividade, por 1.000 habitantes*

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Fonte: PNADs COVID19 de maio, junho e julho. * As taxas dos sintomáticos se referem ao valor médio daqueles entre 20 e 69 anos. A escala varia entre os gráficos.

As taxas de internação dos infectados por COVID-19 por 1.000 habitantes, por cor e faixa etária (Figura 6), reforçam a relação direta entre idade e gravidade da doença, mas também revelam diferenciais entre negros e brancos e entre as regiões do Brasil. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam claro descolamento entre as curvas de internação de negros e brancos a partir da faixa dos 50 a 59 anos, com maior internação de negros. Enquanto que na região Sudeste as curvas são muito próximas em todas as faixas etárias e, na região Sul, observa-se o comportamento oposto, com maiores taxas de internações de brancos do que de negros a partir da faixa dos 30 aos 39 anos.

Figura 6 – Taxa de internação dos infectados por COVID-19, por cor e faixa etária – Grandes Regiões e Brasil*

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Fonte: Elaborado a partir de dados de internação da SRAG, distribuição da população por cor com base nas PNADs COVID19 e população de 2020 projetada pelo IBGE. *A escala varia entre os gráficos.

Dos internados por COVID-19 houve o registro de óbito pela doença em 36,8% dos casos entre os negros e em 32,5% entre os brancos, com as maiores taxas de mortalidade localizadas na região Norte e Nordeste e as menores na região Sul e, principalmente, no Centro-Oeste. Para todas as regiões, rejeitou-se a hipótese nula do teste Qui-quadrado de Pearson (com 95% de confiança para região Centro-Oeste e 99% para as demais), permitindo concluir que há associação entre as variáveis raça/cor e a proporção de internados que morreram por COVID-19. No entanto, essa associação variou entre as regiões: no Sudeste, Sul e Centro-Oeste houve maior mortalidade entre os negros e, no Norte e Nordeste ela foi maior entre os brancos.

A Figura 7 corrobora a relação direta entre a idade e a letalidade da doença também para negros e brancos. Considerando as regiões do país, verifica-se um comportamento da taxa de letalidade e a idade muito semelhante, chegando a uma taxa de letalidade de 60% dos internados que estavam com 80 anos ou mais, tanto para negros como para brancos. Nota-se algumas oscilações nas faixas etárias mais jovens, o que pode ser reflexo dos poucos casos de internação e óbito.

Figura 7 – Taxa de letalidade dos internados por COVID-19, por cor e faixa etária – Grandes Regiões e Brasil

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Fonte: Elaborado a partir de dados de internação da SRAG.

A maior oscilação entre a declaração de sintomas de síndrome gripal, dos internados e dos óbitos por COVID-19 entre negros e brancos e entre as regiões do país indicam atuação forte de outros fatores não consideradas no presente estudo. Cabe destaque aos diferencias socioeconômicos entre negros e brancos, com os negros tendo maior vulnerabilidade. Importante sublinhar também que grande parte da população brasileira tem dificuldade em realizar as medidas necessárias de prevenção devido sua fragilidade econômica, que afeta o acesso à moradia, saneamento básico, aquisição de produtos e possibilidade de realizar isolamento social e também aumentam a prevalência de comorbidades que agravam a doença, como pela maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde e a alimentação saudável (BATISTA et al, 2020; CALMON, 2020; SANTOS et al, 2020).


4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pandemia de COVID-19 impôs uma conjuntura econômica sem precedentes na história recente da humanidade. A economia teve de ser paralisada e as atividades adequadas à nova realidade, na qual o trabalho presencial se tornou uma fonte significativa de contágio.

Mediante esse cenário, a análise das características de sexo, cor e idade dos trabalhadores, por risco de contágio da atividade econômica desempenhada e, em conjunto com a probabilidade de declarar sintomas de síndrome gripal, revelou que a atuação no mercado de trabalho tem impacto no entendimento dos grupos de maior vulnerabilidade ao contágio por COVID-19.

Por sua vez, a observação das mudanças do perfil demográfico conforme evolui a doença, ou seja, dos que declararam sintomas de síndrome gripal, para os confirmados e os óbitos por COVID-19, reforça o fato de que o sexo, cor e idade são variáveis chave no entendimento da pandemia.

Quanto maior o risco de contágio da atividade desempenhada no mercado de trabalho, verificou-se que maior foi a proporção de pessoas que declararam sintomas de síndrome gripal. Assim, a análise da composição demográfica dos grupos de atividade de risco alto, médio e baixo auxiliam no entendimento da pandemia e na formulação de medidas mais eficientes no seu combate.

Com relação à idade, além de verificar-se a relação direta de avanço da idade com a probabilidade de agravamento do quadro da doença e de óbito dos contaminados, identificou-se que as maiores taxas de contágio ocorreram entre as pessoas de 30 a 50 anos. Essa faixa etária também é a que havia maior concentração dos trabalhadores, indicando que a atuação no mercado de trabalho é componente importante de contágio.

Considerando o sexo, verificaram-se maiores taxas dos que declararam sintomas de síndrome gripal entre as mulheres em todas as atividades e, também, maior prevalência de mulheres entre os infectados por COVID-19. Porém, os perfis de infecção por idade revelaram diferenças entre os sexos, com maiores taxas de infecções nas idades adultas entre as mulheres e, nas idades mais avançadas, entre os homens. Tais diferenciais, provavelmente, guardam relação com a grande concentração de mulheres – mais de 70% do total – dos trabalhadores nas atividades de alto risco, que são as de saúde humana e assistência social.

Cabe ressaltar que a maior mortalidade entre idosos e homens é uma característica observada na mortalidade de modo geral e que, nesse sentido, a letalidade por COVID-19 tem um comportamento semelhante. Algumas das hipóteses apontadas, nos estudos feitos até o momento, para explicar a maior letalidade da doença entre os homens, estão relacionadas tanto a fatores sociais e comportamentais de gênero, fatores genéticos e maior prevalência de comorbidades que agravam o quadro da doença entre os homens.

A última característica analisada foi a raça/cor. A distribuição por risco de contágio da atividade aponta para uma exposição um pouco maior para os brancos, no entanto, a proporção dos que declararam sintomas de síndrome gripal foi maior entre os negros. As taxas de internações e de letalidade dos internados revelaram situações diferentes entre as regiões do Brasil. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste houve maior internação por COVID-19 entre os negros, enquanto no Sudeste ela foi muito semelhante e, no Sul, foi maior entre os brancos, já a letalidade dos internados foi maior entre os brancos na região Norte e Nordeste e, nas demais, foi maior entre os negros. Os resultados apontam a necessidade de considerar outras questões nas análises dos diferenciais entre raça/cor, como os diferenciais socioeconômicos entre as regiões e entre negros e brancos.

Por fim, cumpre ressaltar a necessidade de contínua testagem da população e disponibilidade de dados sobre a COVID-19. A subnotificação de casos e a baixa testagem trazem incertezas quanto a real representatividade dos resultados e podem dificultar a adoção de medidas adequadas ao enfrentamento da doença. Além disso, fica evidente a importância da coleta das informações demográficas dos afetados pela doença, sendo tais informações essenciais na compreensão de grupos mais vulneráveis a COVID-19.


REFERÊNCIAS

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[1] Disponível em: https://coronavirus.jhu.edu/map.html.

[2] O Brasil.io disponibiliza, diariamente, dados com a série histórica de casos e óbitos confirmados por município, compilados dos boletins epidemiológicos das Secretarias Estaduais de Saúde. Disponível em: https://brasil.io/covid19/.

[3] Destaca-se que os dados de contaminados e óbitos por COVID-19, provenientes da base de SG, SRAG e do Registro Civil vão até a metade de agosto, justamente para contabilizar o contágio que teria ocorrido até o final de julho.

[4] Lima, Costa e Souza (2020), realizaram a classificação de risco de contágio com base nos dados da O*NET, uma classificação de ocupações dos EUA que é mantida pelo Departament of Labor dos Estados Unidos. Para mais informações: https://www.onetonline.org/find/descriptor/browse/Work_Context/.

[5] Lima, Costa e Souza (2020) definiram que os trabalhadores que estariam sob risco seriam aqueles em que o risco de contágio fosse igual ou superior à 60.

[6] Disponível em: https://www.worldometers.info/coronavirus/#countries.