Lições Aprendidas Parte 1: Entendendo a abordagem de Pesquisa-Ação

O projeto desenvolvido pela equipe CDA teve como objetivo apoiar, em modo experimental e piloto, o serviço público de saúde da rede hospitalar universitária da UFMG para que este pudesse lidar com os desafios introduzidos pela pandemia. Dessa forma, uma intervenção de base tecnológica, ou seja, um chatbot, foi desenvolvida como alternativa tanto para minimizar os riscos de propagação do vírus como para tentar evitar a sobrecarga dos serviços de saúde. Por se tratar, contudo, de um cenário novo e desconhecido, surgiu a questão imediata de como avaliar os resultados, as contribuições e as eventuais deficiências da intervenção proposta.

Quando se combina uma intervenção realizada em um ambiente social com uma pesquisa que tem o objetivo de aprender sobre a própria intervenção, é frequente o emprego de uma abordagem denominada Pesquisa-Ação (LEWIN, 1946; SUSMAN; EVERED, 1978), especialmente nos campos das ciências sociais e do estudo da Interação Humano-Computador (IHC) (KOCK, 2013; HAYES, 2014).

A Pesquisa-ação é uma metodologia de investigação baseada em um processo de autorreflexão coletiva realizado através de um esforço que envolve tanto o desenvolvimento de uma ação em um ambiente real quanto a produção de conhecimento acadêmico a partir da experiência que é resultado dessa ação (HAYES, 2014). A qualidade e validade, tanto prática quanto científica é assegurada pela natureza cíclica do processo de pesquisa-ação, no qual múltiplos ciclos (ou espirais) de plano-ação-observação-reflexão são empreendidos a fim de refinar as lições aprendidas, conforme ilustrado na figura.

Nesta perspectiva, os pesquisadores podem tomar diferentes posições em relação ao cenário que estudam, e a colaboração entre pesquisadores e participantes não só é permitida, mas também incentivada. A posição que um pesquisador assume ao conduzir uma pesquisa-ação, se propondo a modificar a realidade social estudada, pode variar desde um estranho a um colaborador ou a um pesquisador interno, influenciando assim o processo, o resultado e a qualidade da pesquisa (HERR; ANDERSON, 2015). Por esta razão, uma descrição do contexto real e dos papéis desempenhados pelas pessoas dentro do projeto é muito importante.

O projeto desenvolvido por nossa equipe destaca-se por envolver uma abordagem interdisciplinar, com participação de grupos de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, o que criou um ambiente inovador para o aprendizado coletivo dos envolvidos. Esses aspectos serão abordados na próxima parte dessa série.

Lições Aprendidas Parte 2: Contexto e Cenário da Pesquisa-ação

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