Contexto Geral: O Projeto TeleCOVID-19

Contexto geral do projeto TeleCOVID-19

Com a chegada da pandemia da COVID-19 no Brasil, o Centro de Telessaúde dos Hospital das Clínicas da UFMG desenvolveu e disponibilizou uma série de iniciativas com o objetivo de apoiar o combate à pandemia. Em um hotsite criado especificamente para tornar acessível e divulgar estas iniciativas, é possível encontrar informações confiáveis sobre a doença, protocolos e orientações para casos suspeitos, dados epidemiológicos e aplicativos úteis voltados tanto para o profissional de saúde quanto para o cidadão em geral. Dentre estas iniciativas, temos o projeto TeleCOVID-19 voltado especificamente para o desenvolvimento de ferramentas de telessaúde no contexto da pandemia da COVID-19.

Ferramentas de telessaúde para assistência e educação em saúde têm grande potencial de atuação nos desafios introduzidos pela pandemia. As modernas tecnologias disponíveis atualmente permitem a ampliação do alcance e da utilização das diversas ferramentas em telessaúde em diferentes cenários e, portanto, configura-se como proposta promissora para a oferta de uma assistência à saúde integral e de qualidade.

A Portaria no 467, de 20 de março de 2020, regulamentou, em caráter excepcional e temporário, as ações de telemedicina, de modo a operacionalizar as medidas de enfrentamento à epidemia de COVID-19. Em seu artigo 2o, a portaria especifica que “as ações de telemedicina de interação à distância podem contemplar o atendimento pré-clínico, de suporte assistencial, de consulta, monitoramento e diagnóstico, por meio de tecnologia da informação e comunicação, no âmbito do SUS, bem como na saúde suplementar”. O projeto TeleCOVID-19 visou desenvolver e validar ferramentas de telessaúde para contemplar ações de atendimento pré-clínico e suporte assistencial no âmbito da COVID-19, para ser aplicável no âmbito do SUS.

No atual contexto da pandemia da COVID-19, a atuação dos sistemas nacionais de saúde implica em articulações inovadoras entre os serviços e a população de modo a reduzir a exposição e minimizar a transmissibilidade do vírus. A coordenação do cuidado e o tratamento dos casos suspeitos diante das melhores evidências disponíveis é um desafio para a gestão da rede de saúde e dos profissionais assistentes. Neste sentido, o projeto TeleCOVID-19 teve o objetivo de desenvolver e validar tecnologias de telessaúde que utilizem diferentes ferramentas de saúde digital, para reconhecimento e orientação dos casos suspeitos de COVID-19. A estratégia de telessaúde desenvolvida com propósito assistencial incluiu: (1) um chatbot chamado de assistente virtual “ANA” com perguntas e respostas sobre a COVID-19 e classificação dos casos; (2) um sistema de telemedicina para profissionais com recursos de teleconsulta aos pacientes e telemonitoramento dos casos com relatórios para os gestores. As duas aplicações serão brevemente descritas abaixo e foram integradas e em algumas localidades onde as ferramentas foram adotadas em modo piloto.

A Assistente Virtual ANA

Foi desenvolvido um aplicativo chatbot para uso em dispositivos móveis e ambiente web, com propósitos assistenciais. O acesso é possível diretamente via aplicativo de mensagem instantânea WhatsApp pelo número (31)7142-3018 ou pelo site do Centro de Telessaúde telessaude.hc.ufmg.br. Inicialmente, o chatbot se apresenta e o usuário é apresentado aos termos de uso, que explicitam que se trata de uma plataforma digital automatizada, criada com o objetivo de facilitar a interação entre o público geral e as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde, que se propõe a auxiliar a triagem nos casos suspeitos de COVID-19, informando, tirando dúvidas, orientando e indicando a necessidade de consulta presencial. Além disso, o termo deixa claro que o chatbot não deve ser considerado como um diagnóstico médico ou laboratorial. A partir daí, o chatbot tem duas funcionalidades principais:

  1. Avaliação do estado de saúde: o sistema automatizado utiliza uma árvore de decisão baseada em evidências científicas e inteligência artificial para triar pacientes com sintomas de COVID-19, segundo manifestações clínicas e comorbidades. A estratégia da árvore de decisão é direcionar os usuários que se apresentem com sintomas respiratórios, para as recomendações de permanecer em seu domicílio com tratamento sintomático, separando-os daqueles com sinais de alerta e/ou comorbidades que se enquadrem nos grupos de risco e que, portanto, necessitam de avaliação profissional presencial. Através do uso desta ferramenta, podemos, ao mesmo tempo, contribuir para a desobstrução das filas nos serviços de saúde e identificar os pacientes que necessitam prioritariamente de avaliação profissional, classificando-os dentro de uma escala de gravidade designada por cores, de acordo com a presença de comorbidades e sinais de alerta, de acordo com recomendações de protocolos do Ministério da Saúde. Os pacientes são classificados pelas cores vermelho, laranja, amarelo e verde que identificam um maior ou menor nível de urgência, respectivamente.
  2. Perguntas e respostas: o sistema possibilita orientações gerais à comunidade sobre a COVID-19 que visam responder, com informações confiáveis e atualizadas, as dúvidas dos usuários. O usuário escolhe o que deseja saber, dentro de um banco de dados de perguntas e respostas. Até o presente momento, 85 perguntas e respostas agrupadas em 12 temas foram inseridas no sistema.

Foram desenvolvidas duas versões do chatbot, versão “stand alone” e versão “atendimento”. Ambas as versões são semelhantes na parte de perguntas e respostas e na parte de “auto-avaliação do estado de saúde”, exceto na orientação final. No chatbot “stand alone”, a orientação final, relacionada à classificação por cores de acordo com a gravidade, é de procurar o serviço de urgência ou unidade básica de saúde. No chatbot “atendimento”, a classificação final está relacionada à prioridade de atendimento para assistência profissional que será realizada, inicialmente, através do sistema de telemedicina descrito a seguir.

Sistema de Telemedicina

Foi desenvolvido um sistema de telemedicina, com propósitos assistenciais, para abordagem estruturada do paciente com suspeita de COVID-19, incluindo script de perguntas e interface web de fácil uso para os profissionais de saúde. O sistema é parte de um projeto de extensão da Faculdade de Medicina da UFMG e já está sendo utilizado para atendimento em Divinópolis e Teófilo Otoni. No início da pandemia, o sistema foi aprimorado com desenvolvimento de aplicação de teleconsulta integrada a sistema de telemedicina para atendimento online de casos suspeitos de COVID-19; interface para avaliação estruturada dos resultados pelo gestor de saúde, incluindo geoprocessamento das informações e análise de tendências de indicadores mensurados; e acoplação de sistema de telemonitoramento.

O acesso ao sistema é possível através de contato telefônico direto ou através de uma das entradas do chatbot, que identifica o usuário que está com sintomas respiratórios e, a partir daí, procede a classificação pelo seu nível de gravidade, de acordo com os sinais de alarme e comorbidades de interesse estabelecidos pelo Ministério da Saúde e OMS. Esta classificação determina a prioridade na fila de atendimento por teleconsulta. O sistema permite prescrição de medicação sintomática, fornecimento de atestado médico e notificação dos casos aos quais será orientada a permanência em domicílio.

O sistema de telemonitoramento se aplica a todo paciente sintomático respiratório ao qual, após avaliação pela equipe da tele-orientação, foi indicada a permanência no domicílio. Este monitoramento funcionará a partir de um sistema de mensagens onde o indivíduo irá receber mensagens questionando acerca de seu estado de saúde e sinais de alarme. Caso a resposta quanto aos sinais de alarme seja positiva, um enfermeiro irá receber um alerta e fará contato e, caso seja necessário, irá transferir a ligação para o médico.

Integração

O chatbot ANA está disponível em três instalações que tem a mesma funcionalidade descrita acima, mas que se integram com a rede de atendimento básico à saúde de modos diferentes. Como mostra a figura no alto dessa página, os pacientes são encaminhados para o sistema de telemedicina apenas nas cidades de Teófilo Otoni e Divinópolis:

Achou interessante? Quer saber como funciona e se a ANA pode te ajudar? Para interagir com a ANA clique no widget no canto inferior direito da tela para nossa versão experimental de demonstração ou aqui para a versão oficial na página do Centro de Telessaúde da UFMG.

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